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Reis

D. João II

Filho primogénito de D. Afonso V e de D. Isabel nasceu em Lisboa a 4 de Maio de 1455. Por morte de seu pai sobe ao trono a 28 de Agosto de 1481. Nas Cortes de Évora realizadas nesse mesmo ano apresentam-se claramente as intenções do novo rei em relação à nobreza, tão beneficiada pela política regalista de seu pai. De uma forma implacável, abateu a conspiração da nobreza, com a condenação do Duque de Bragança em Abril de 1483 e a morte violenta do Duque de Viseu em Agosto de 1484. A política régia enveredou no sentido da centralização do poder real. A orientação que imprimiu à política ultramarina caracterizou-se pelo patrocínio que concedeu às expedições de Diogo Cão e à viagem de Bartolomeu Dias, precedida pelas deslocações de Afonso de Paiva e Pêro da Covilhã ao Egipto e Etiópia. Já muito doente elaborou o seu testamento, em 29 de Setembro de 1495, a favor de seu cunhado D. Manuel I, falecendo um mês mais tarde em Alvor.

Foi no reinado de D. João II, que se deram os primeiros passos para criar um sistema de defesa do rio Tejo. Pretendia-se que tal fosse global, que abrangesse a “barra” do Tejo na sua zona mais estreita, definida pelas margens do Restelo (Norte), Almada (Sul) e daí até à distante mas estratégica baía da vila de Cascais. O sistema então gizado, asseguraria uma cobertura do rio por tiro de artilharia. Em finais do reinado de D. João II, na década de 80 e inícios de 90, foram construídas a Torre de S. Sebastião da Caparica, na margem sul do Tejo e a Torre de Cascais na ponta norte da baía.

Bibl.: Humberto Baquero Moreno, Dicionário Enciclopédico da História de Portugal, Publicações Alfa, 1990; Paulo Pereira, Torre de Belém, Publicações Scala, 2005

D. Manuel I

Nascido em 1469 era o nono filho dos Infantes D. Fernando e D. Beatriz. Neto paterno do rei D. Duarte e materno do Infante D. João, bisneto de D. João I por ambas as linhas, D. Manuel I ascenderia ao trono em aclamação realizada a 27 de Outubro de 1495, por nomeação testamentária de seu cunhado, o rei D. João II (após a morte do herdeiro D. Afonso). D. Manuel I vai prosseguir a política de tentativa de unificação ibérica, iniciada por D. Afonso V, através dos seus sucessivos matrimónios entre a família real espanhola. Ligado a este projecto e igualmente direccionado para a consolidação do absolutismo político, D. Manuel I determina por decreto de Dezembro de 1496, a expulsão dos Judeus e Mouros que num prazo de dez meses não se convertessem, visando porém a sua permanência no país no quadro de uma política integracionista pacífica tentada ao longo do seu reinado. Em paralelo, empreenderia uma vasta reformulação jurídico-administrativa, educativa e económica, transformando a expansão portuguesa numa vasta empresa controlada pelo poder central. O seu reinado é marcado pela viagem de Vasco da Gama à Índia em 1498, a descoberta do Brasil por Pedro Álvares Cabral em 1500 e a progressão territorial em Marrocos (Safim, Azamor,Tite e Almedina). D. Manuel I vem a falecer em 1521.

Foi no reinado de D. Manuel I que se concretizou o plano de defesa do rio Tejo, iniciado por D. João II, com a construção da Torre de S. Vicente em Belém, que se inicia em 1514.

Bibl.: Maria de Fátima Coelho, Dicionário Enciclopédico da História de Portugal, Publicações Alfa, 1990; Paulo Pereira, Torre de Belém, Publicações Scala, 2005

D. Filipe I

Nascido em Valhadolid a 27 de Maio de 1527. D. Filipe I era filho do Imperador Carlos V e de D. Isabel de Portugal e permanece na história como criador da Espanha moderna. Era bisneto dos reis católicos e neto de Filipe O Belo de Habsburg (Alemanha) e de D. Manuel I de Portugal. Na sua pessoa reuniu um vasto império, que por sucessão ou conquista, se estendeu da Europa ao continente americano e ao Oceano Pacífico. O seu reinado é marcado por revoltas nos Países Baixos que se tornam Províncias Unidas (embrião da futura Holanda). Luta contra o poderio turco no Mediterrâneo (batalha do Lepanto em 1571) e entra em guerra com a França, ao tentar fazer valer os seus direitos ao trono francês. Após a morte de D. Sebastião em Alcácer-Quibir, Filipe I fez valer os seus direitos à coroa portuguesa que obteve, em 1580, depois da invasão levada a cabo pelo duque de Alba. A hegemonia espanhola no mundo, no reinado de Filipe I, não pôde impedir os progressos da Inglaterra e dos Países Baixos, na competição marítima e comercial que vai marcar a história europeia do séc. XVII. Filipe I vem a falecer no Escorial a 13 de Setembro de 1589.

No reinado de D. Filipe I, em 1589, pensou-se em melhorar o valor militar da Torre. Assim Filipe I, encomenda ao engenheiro italiano Pe. João Vicêncio Casale um projecto de fortaleza para completar a defesa do Tejo. Constroem - se os "Quartéis Filipinos"- construção simples paralelepipédica sobre o baluarte, junto ao alçado sul da Torre.

Bibl.: Joaquim Veríssimo Serrão, Dicionário Enciclopédico da História de Portugal, Publicações Alfa, 1990

D. Maria II

Nasceu no Rio de Janeiro em 1819, filha de D, Pedro IV de Portugal (I do Brasil) e da primeira mulher deste, Leopoldina arquiduquesa de Áustria. Com apenas sete anos, seu pai abdicaria nela da coroa portuguesa, na condição de vir a casar-se com o tio D. Miguel, o que acontecerá por procuração em 1826. Este casamento político nunca chegaria a consumar-se entrando o país numa guerra civil entre as causas absolutistas e liberais. Em 1834 é proclamada rainha, marcando o fim da guerra civil. Vê-se, com quinze anos, à frente de um país conturbado, a braços com convulsões sociais e políticas que se prolongariam por muito tempo. D. Maria II chefiou o Estado num período particularmente complexo e tormentoso da nossa história tentando, no entanto, não exorbitar do âmbito constitucional que seu pai lhe legara. Veio a falecer de parto, em Lisboa, a 15 de Novembro de 1853.

A Torre de Belém foi restaurada durante o reinado de D. Maria II, em 1845/1846. Em consequência de protestos de Almeida Garrett sobre o estado de ruína do monumento e graças aos esforços do Duque da Terceira, então ministro de Guerra, foram efectuadas obras sob a tutela de D. Fernando II. As obras ficaram sob direcção do engenheiro militar António de Azevedo e Cunha, tendo sido demolidos os “quartéis filipinos” e acrescentados elementos revivalistas, como os merlões armoriados, a balaustrada do varandim sul, o claustrim com platibanda rendilhada e o nicho com a imagem de N. S. das Uvas.

Bibl.: Fernando Pereira Marques, Dicionário Enciclopédico da História de Portugal, Publicações Alfa, 1990 

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