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Arquitectos

Francisco de Arruda (+1547) responsável pela construção da Torre de Belém, pertence a uma linhagem de arquitectos ilustres sediada em Évora. Foi mestre-de-obras do Alentejo, medidor das obras do Reino e mestre da obra dos Paços Reais de Évora. É encarregado de reparar as fortificações de Moura, Mourão e Portel, encontrando-se nesta vila a sua intervenção mais importante. Aí, para além de consertar as muralhas, introduz no castelo torres semi-circulares marcadas já pelo estilo de transição da neurobalística para a pirobalística. Constrói para D. Jaime, Duque de Bragança, os Paços do Castelo de Portel, hoje arruinados, e a Capela de S. João Baptista, também gravemente obliterada: esta possui na parede testeira recta, dois volumosos botaréus, cilíndricos na base e octogonais daí para cima, coroados por pináculos cónicos torsos precedidos de uma moldura encordoada. 

Francisco de Arruda acompanha seu irmão Diogo ao norte de África, a Safim e Mazagão, trabalhando igualmente na praça-forte de Azamor onde absorveu influências da arquitectura da região. Regressou a Lisboa em 1514 para trabalhar no Mosteiro dos Jerónimos e, em 1516, assina um documento que o designa mestre-de-obras do Baluarte do Restelo (Torre de Belém). Na Torre de Belém as influências da arquitectura do Norte de África conjugam-se com soluções inspiradas na arquitectura italiana da época, na tradição das fortificações medievais e na arquitectura naval.

Em 1520, Francisco e Diogo Arruda alargam o número de intervenções em Évora e arredores, designadamente no Mosteiro de S. Francisco e na reformulação do Paço Real em Évora. Pode também atribuir-se neste período a Francisco de Arruda o traçado da Sé de Elvas, dotada de uma característica tipológica que partilha com a Igreja Matriz de Olivença, com a sua grande torre central. Após o desaparecimento de Diogo de Arruda em 1531, Francisco seguirá uma via gradualmente diversa convertendo-se paulatinamente à cultura humanista. Aliás, as obras posteriores vão dando mostras de uma erudição renascentista, sendo de assinalar, por lhe andar atribuída, quer a Casa dos Bicos em Lisboa, quer o Palácio da Bacalhoa na sua fase inicial (1530?). 

Bibl.: Paulo Pereira, Torre de Belém, Publicações Scala, 2005

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