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Governadores da Torre 

O cargo de Governador da Torre de Belém sempre foi considerado muito honroso, tendo-se tornado num dos lugares honorificamente mais importantes das nossas forças armadas, embora não tivesse qualquer significado prático do ponto de vista militar 

1517 - Gaspar de Paiva foi o primeiro governador da Torre de Belém. Membro influente na corte de D. Manuel I era primo do navegador Fernão de Magalhães. O irmão, Bartolomeu de Paiva, foi amo de D. João III, Provedor das Obras do Reino e da obra da Torre de Belém. Gaspar de Paiva serviu na Índia sob o comando de Afonso de Albuquerque e chegou a alcaide-mor de Goa. 

1538 - Manuel de Sampaio, capitão de artilheiros. 

1592 - Diego de Pareja, capitão do exército de Filipe II. 

1640 - D. António de Saldanha, militar na Índia, em 1620, fidalgo da aclamação, conselheiro da Guerra de D. João IV e governador-geral dos Açores.

 1674 - D. Sancho Manuel de Vilhena, 1º Conde de Vila Flor (c. 1608-1677). Filho de um capitão-mor das naus da Índia, combateu ao lado do exército espanhol. Preso no reinado de D. João IV tornar-se-ia seu aliado e acabaria por receber o cargo de general-em-chefe do exército português como recompensa pela sua acção decisiva na Guerra da Restauração. 

1681 - D. Luís Manuel de Távora (1646 - 1706), 4º conde da Atalaia, conselheiro da Guerra. 

1701 - Gomes Freire de Andrade, durante o impedimento do conde de Atalaia, D. Luís Manuel de Távora, como comandante de um dos três quartéis da cidade de Lisboa. 

1707 - D. Pedro Manuel de Ataíde (1665 - 1722), 5º conde da Atalaia, tenente general de cavalaria do Minho e mestre de campo da Beira. 

1738 - D. João Manuel de Noronha, 1º Marquês de Tancos (1679-1761). General de batalha e mestre de campo, capitão general de Angola, governador das armas da província do Alentejo e Conselheiro de Guerra.

1761 - D. Duarte da Câmara, conde de Aveiras, mestre de campo general dos exércitos, membro do conselho de Guerra e gentil-homem da Casa Real.

1775 - D. Pedro José de Noronha Camões de Albuquerque Moniz e Sousa (1716 - 1788), 3º marquês de Ângeja e 4º conde de Vila Verde, tenente general do exército.

1788 - D. Duarte Rodrigo da Câmara, 2º Marquês de Tancos (+1793). Exerceu o cargo de gentil-homem da Câmara do infante D. Francisco (irmão de D. João V), do rei D. José I e da rainha D. Maria I; vedor da Casa Real, general e governador das armas da corte e província da Estremadura. 

1799 - D. João Carlos de Bragança de Sousa Ligne Tavares Mascarenhas da Silva, 2º Duque de Lafões (1719-1806). Segundo filho do infante D. Miguel e neto do rei D. Pedro II. Homem muito ilustrado fundou, com a colaboração do seu mentor, o abade Correia da Serra, a Academia Real das Ciências de Lisboa, em 1779, de que foi o  1º presidente. 

1800 - D. Duarte Manuel de Menezes e Noronha, 4º Marquês de Tancos (1775-1833). Comendador das ordens de Cristo e da Torre e Espada, marechal de campo, inspector e primeiro membro da Junta de Saúde Pública. Ministro e secretário de Estado no governo de D. Miguel e ajudante general do exército absolutista. 

1803 - Francisco de Melo da Cunha Mendonça e Meneses, 1º Marquês de Olhão (1741-1821). Presidente do Senado da Câmara de Lisboa, Governador e capitão general do Algarve. Combateu as tropas francesas comandadas por Junot em 1807. De 1808 a 1820 exerceu os cargos de Governador do reino e de conselheiro de guerra. 

1810 - D. António Soares de Noronha (faleceu em 1814), tenente general 

1814 - D. Francisco de Melo da Cunha Mendonça e Menezes (1761 - 1821), 1º marquês de Olhão e 1º conde de Castro Marim, conselheiro de guerra, Monteiro-mor e governador do reino.  

1823 - António de Lemos Pereira de Lacerda, 1º Visconde de Juromenha (1761-1828). Comendador das Ordens de Avis e da Torre e Espada; condecorado pelas campanhas das guerras da Catalunha e Rossilhão, e pela campanha da Guerra Peninsular. Secretário militar de D. João VI até à revolução de 1820. 

1824 - José de Vasconcelos e Sá (1775 - 1842), barão de Albufeira, brigadeiro e marechal de campo, ajudante do infante D. Miguel, por destituição de D. António, visconde de Juromenha 

1825 - D. António de Lacerda, visconde de Juromenha, que volta a ocupar o cargo pela prisão do barão de Albufeira (1824 a 1826), até à sua morte, a 9 de Agosto de 1828 

1828 - Francisco Paula Leite de Sousa (1747 - 1833), visconde de Veiros, tenente general e conselheiro de guerra 

1834 - D António José de Sousa Manuel de Meneses Severim de Noronha, Duque da Terceira (1792-1860). Moço fidalgo da rainha D. Maria I, gentil-homem da Câmara de el-rei D. João VI, copeiro-mor, estribeiro-mor, conselheiro de Estado, ministro de Estado e ministro plenipotenciário, marechal do exército, presidente do Supremo Conselho de Justiça Militar. Fez parte do exército anglo-luso que se bateu em Espanha durante as invasões francesas. Ajudante-de-ordens de D. Miguel em 1823, aderiu depois à facção liberal de D. Pedro IV. Após a aclamação de D. Miguel emigrou para Inglaterra. Regressou para governar a ilha Terceira, onde reuniu as tropas para o desembarque no Mindelo em 1832 e que acabariam por sair vitoriosas na Guerra Civil. Comandante em chefe do exército no 1º governo liberal.  

Prisioneiros da Torre

Desde o período filipino (1580-1640) a Torre foi utilizada como cárcere político. De cerca de cem prisioneiros identificados constam figuras destacadas e influentes no seu tempo.  

O mais antigo prisioneiro conhecido foi D. Pedro da Cunha em 1589  

1638 – D. Francisco Manuel de Melo (1608-1666), escritor, fidalgo da Casa Real e cavaleiro da Ordem de Cristo. Preso por dúvidas sobre a sua lealdade a Filipe II.  

1641 – D. Francisco de Castro (+ 1643), Inquisidor-mor e neto do vice-rei da Índia D. João de Castro. Preso por colaborar com os espanhóis. Viria a recuperar a liberdade, assim como os títulos, cargos e dignidades. 

1641 – D. Sebastião de Matos Noronha (1586-1641), arcebispo de Braga. Preso por conspirar com os espanhóis. Morre nesse mesmo ano provavelmente na Torre, embora tivesse ele próprio celebrado o casamento de D. João IV com D. Luísa de Gusmão.

1758 – D. João de Almeida e Portugal (1726-1802), Marquês de Alorna, casado com a 3.ª Marquesa de Távora. Preso em 1758 até 1777 por alegado envolvimento no regicídio. Inocentado e libertado ao findar o reinado de D. José.  

1803 e 1815 – Gomes Freire de Andrade (1757-1817), neto de um governador da Torre de Belém, esteve aqui preso por duas vezes. Marechal de campo, grão-mestre da maçonaria, grande vulto militar que combateu em Portugal e no estrangeiro. Seria executado por motivos políticos, em 1817, no Forte de São Julião da Barra.

 

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