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Capela de S. Jerónimo

Construída em 1514, dentro dos terrenos da cerca dos Monges Jerónimos do Mosteiro de Santa Maria de Belém, a Capela de S. Jerónimo, de formas sóbrias e raro equilíbrio de volumes, é um monumento que impressiona todos os que o vêem pela primeira vez.

À Capela de São Jerónimo está ligado o nome do arquitecto do Mosteiro dos Jerónimos, Diogo de Boitaca, sob cuja inspiração se parece ter norteado o projecto. Contudo, o nome de Rodrigues Afonso é aquele que nos aparece ligado à elaboração e conclusão da obra. De planta quadrangular, é rematada no topo por um cordão interrompido por quatro pináculos cónicos de forma retorcida, sendo decorada em cada canto por gárgulas em tudo semelhantes às que se encontram no Claustro do Mosteiro dos Jerónimos. O edifício tem os seus cunhais exteriores reforçados por quatro "gigantes", que suportam o peso do tecto e das paredes. A porta principal, de reduzidas dimensões, está virada para ocidente e dela se avista um largo horizonte que se estende pelo mar dentro. Aliás a decoração desta porta é de uma grande simplicidade, de acordo com o resto do edifício. Dela se destaca apenas um escudo real, encimado pela coroa, ladeado por duas esferas armilares, símbolo do reinado de D. Manuel I e que evocam um período da história em que Portugal deu "novos mundos ao mundo".

No interior destaca-se o arco triunfal polilobado, com alcachofras nos pendentes. Ao corpo da nave junta-se outro mais pequeno e mais baixo, também com abóbada nervada, correspondendo à capela-mor. Teve esta ermida três altares recobertos de azulejos sevilhanos, exemplo interessante das diversas aplicações deste processo decorativo. O actual altar da capela de São Jerónimo foi feito neste século, usando os azulejos sevilhanos antigos. A ligação da Capela ao Mosteiro dos Jerónimos é um facto desde a data da sua construção. Contudo, com as transformações do séc. XIX, posteriores à extinção das Ordens Religiosas, esta ligação esteve em risco de se perder. A dispersão dos bens dos monges Jerónimos atingiu também a propriedade e, assim, as terras da antiga cerca foram vendidas em talhões, interrompendo-se a unidade que, durante séculos, ermidas, fornos, hortas e pomares tiveram com o Mosteiro de Santa Maria de Belém.

Actualmente a Capela encontra-se integrada no conjunto patrimonial Mosteiro dos Jerónimos/Torre de Belém, monumentos ímpares da arquitectura manuelina e, apesar do seu reduzido tamanho, não tem reduzido valor dentro do conjunto, sendo até, pelo equilíbrio das suas formas e singeleza do seu traço, um tratado de bom gosto e de bem construir, que nos foi legado num período áureo, em que o mundo se estreitou e os povos se aproximaram.

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